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Quanto cobrar por um ensaio fotográfico: a conta que quase ninguém faz

Copiar o preço do concorrente é o erro mais caro da carreira. Veja como chegar ao seu preço a partir do seu custo real, com a conta aberta passo a passo.

Toda semana aparece a mesma pergunta em grupo de fotógrafo: "pessoal, quanto vocês cobram por um ensaio de gestante?" E vem a mesma resposta inútil: um monte de número solto, de cidades diferentes, com estruturas de custo diferentes, de gente em momentos de carreira diferentes.

O preço do outro não serve para você porque ele não paga as suas contas.

Este texto mostra a conta que resolve isso. Não é a única forma de precificar, mas é a que impede o pior cenário: trabalhar o ano inteiro, ter agenda cheia e terminar dezembro sem dinheiro.

Primeiro, o preço não sai do ensaio. Sai do ano.

O erro de raciocínio é começar perguntando "quanto vale este ensaio". A pergunta certa é "quanto eu preciso faturar no ano, e quantos trabalhos eu consigo entregar nesse período".

São quatro números. Levante os seus antes de continuar lendo.

1. Quanto você precisa tirar por mês para viver. Aluguel, comida, plano de saúde, transporte, o que for. Some tudo e seja honesto. Esse é o seu pró-labore, e ele não é lucro: é salário.

2. Os custos fixos do negócio. Internet, telefone, armazenamento em nuvem, softwares que você assina, contador, seguro do equipamento, aluguel de estúdio se tiver. Some por mês.

3. A reserva de equipamento. Câmera, lente e computador não duram para sempre. Pegue o valor de reposição do seu kit, divida por quantos meses ele deve durar, e trate isso como despesa mensal. Se você não faz isso, o dia da troca vira dívida no cartão.

4. Quantos trabalhos você entrega por mês, de verdade. Não quantos couberam na agenda: quantos você consegue fotografar, selecionar, tratar e entregar mantendo a qualidade. Fotógrafo costuma superestimar esse número em duas ou três vezes.

A conta

Some os três primeiros e divida pelo quarto:

(pró-labore + custos fixos + reserva de equipamento) ÷ trabalhos por mês = seu custo por trabalho

Um exemplo com números redondos, só para enxergar a mecânica. Alguém que precisa de R$ 4.500 para viver, tem R$ 900 de custos fixos, separa R$ 600 por mês para equipamento e entrega seis trabalhos por mês:

(4.500 + 900 + 600) ÷ 6 = R$ 1.000 por trabalho

Isso significa que um ensaio de R$ 1.000 nesse cenário dá lucro zero. Ele apenas empata. E, importante: ainda não entraram nessa conta os custos do próprio trabalho, que existem só quando o trabalho acontece.

O que ainda falta somar

Sobre o custo por trabalho, acrescente o que aquele job específico consome:

  • Deslocamento: combustível, aplicativo de transporte, pedágio, estacionamento.
  • Terceiros: segundo fotógrafo, assistente, maquiagem, se houver.
  • Custo da entrega: álbum, caixa, pen drive, envio.
  • Impostos: o que você paga sobre aquele faturamento.
  • Taxa da maquininha ou do link de pagamento, se o cliente parcelar.

E só então some o lucro. Lucro é a parte que fica no negócio para ele crescer, para atravessar o mês fraco, para você tirar férias. Um negócio sem lucro não é um negócio, é um emprego malpago que você mesmo criou.

Onde a maioria erra

Contar hora de foto e esquecer o resto. O ensaio dura duas horas. O trabalho, não. Some o tempo de conversa com o cliente, orçamento, contrato, deslocamento, backup, seleção, tratamento, entrega e o eterno "só mais um retoquezinho". A hora fotografada costuma ser a menor parte.

Achar que o mês tem trinta dias úteis. Não tem. Tem os dias que você fotografa, os dias que você edita, e os dias que você não trabalha porque é gente.

Baixar o preço para fechar mais. Preço baixo atrai o cliente que discute cada centavo, atrasa o pagamento e pede mais do que combinou. Preço justo atrai o cliente que valoriza o trabalho. Isso não é discurso motivacional, é seleção de clientela.

Não recalcular nunca mais. Custo muda. Equipamento fica mais caro, você melhora, a demanda cresce. Refaça a conta a cada seis meses.

O preço de tabela é o piso, não a promessa

Chegar num número não significa cobrar aquilo de todo mundo. Significa saber qual é o seu piso. Abaixo dele, você está pagando para trabalhar, e isso deveria ser uma decisão consciente e rara, não uma surpresa no fim do mês.

Quando alguém pedir desconto, você passa a ter uma resposta concreta. Ou tira algo do pacote, ou o preço fica.

Como manter isso vivo sem virar um trabalho à parte

A conta acima é fácil de fazer uma vez e difícil de manter. Ela depende de você saber, sem adivinhar, quanto entrou, quanto saiu e quantos trabalhos você entregou no período.

É exatamente isso que um sistema de gestão resolve: cada projeto já nasce com o valor combinado, os custos daquele trabalho ficam registrados junto dele, e o painel financeiro mostra o resultado real do mês sem você abrir planilha nenhuma. No fim do semestre, refazer a conta leva cinco minutos, porque os números já estão lá.

O importante não é a ferramenta. É parar de precificar no escuro.

Este texto faz parte do guia completo de gestão para fotógrafos, com o mapa das outras etapas do negócio.

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